Wednesday, August 2, 2017

Nossa Lua de Mel e a Bahia

Texto de Wallace e Raysa 

Olá,

Há muito tempo não escrevo, o ritmo de sala de aula não me permitiu. Mas aqui estou novamente e o motivo é pra lá de especial. 

Eu casei e fui para Bahia em lua de mel.

Casei com a mulher mais doce, meiga e atenciosa desse mundo.  Nós nos amamos muito. O suficiente pra casar. Não tive dúvidas e casei! Estamos felizes.

Em Lua de Mel, revolvemos ir para a Bahia, mais precisamente para o Sul da Bahia, escolhemos Trancoso.


Igreja de São João Batista





Trancoso é um distrito de Porto Seguro e ainda preserva aquilo que falta em São Paulo. Paz, natureza, educação, segurança e amor. A Impressão que eu tive é que quem está em Trancoso, não quer sair de lá. Não são apenas as praias paradisíacas que te prendem aquele lugar, mas é a calma, a forma de viver, o amor a cidade e as pessoas. Eu e a Raysa ficamos encantados. Sim, é possível viver a vida como ela deve ser vivida.

Na verdade podemos falar de duas "Trancosos", a dos turistas, no centro histórico, mais conhecido como Quadrado e o resto da cidade na qual vive a população nativa. Até chegar ao Quadrado você é obrigado a passar por toda a cidade e nesse percurso ganha destaque a Praça da Independência, onde você pode comer mais barato e com qualidade. Após três minutos de carro você se depara com o Quadrado, com toda sua delicadeza, magia e ótimos restaurantes. 

Mas porque Quadrado? 

Imagina um campo de futebol. As linhas laterais são formadas por diversas casas centenárias e que hoje foram compradas pelos gringos e transformadas em restaurantes ou pousadas. Estas casas, foram tombadas pelo patrimônio histórico e hoje valem milhões. Modificar sua estrutura é proibido, assim garantimos que gerações futuras possam presenciar aquela linda vista. Ao fundo, está o Igreja de São João Batista, e após a Igreja existe uma penhasco com uma linda vista da praia dos Coqueiros. Na verdade você é presenteado com a aquela vista após atravessar todo o Quadrado, passando pela Igreja e, posteriormente, aquela vista. O melhor de Trancoso!


Visão panorâmica do Quadrado


As casinhas do Quadrado 


A Igreja do Quadrado


Vista da Praia dos Coqueiros dos Quadrado

A Raysa no Quadrado


Escolhemos ficar em uma pousada e alugar um carro para explorar toda a região. A ideia de ficar em um resort até passou pela nossa cabeça, mas como gostaríamos de ver diferentes lugares e conversar com diferentes pessoas ficamos com a primeira opção.

Alugamos o carro no terceiro dia de viagem, após passar os dois primeiros dias na praia dos Coqueiros que ficava a 15 minutos andando da pousada. O caminho é lindo também, som de passáros, vegetação linda (uma parte preservada da Mata Atlântica) e o céu te convidando até a praia. 

A partir do terceiro dia, com o carro em mãos, conhecemos todas as praias de Trancoso, uma por dia. Praia dos Coqueiros, Praia dos Nativos, Praia Taípe e Praia da Boa Vista.


Praia do Taípe


Praia do Taípe

O Carro também nos levou até Arraial d'Ajuda, outro pequeno, porém mais badalado distrito de Porto Seguro. Em Arraial, ao contrário de Trancoso, é possível comer mais barato em regiões turísticas. Arraial assim como toda aquela região preserva as suas ruas de paralelepípedo, muitas lojas e um clima de juventude. Rolou uma churrascaria por quilo...bom demais.

Ruas de Arraial

Um lugar bastante turístico e visitado, para quem gosta de fazer compras é a rua Broadway (sim uma imitação do nome americano, rs) lá podemos encontrar diversas lojinhas com produtos locais, marcas famosas e lembrancinhas. O que nós deixou muito felizes, pois os valores não são abusivos. No final desta rua encontramos a Igreja de Arraial, mais um patrimônio histórico, atrás dela há um muro dos pedidos que você amarra as suas fitinhas do Senhor do Bonfim e faz pedidos a cada nó dado. Além da vista para a praia dos pescadores. 

Igreja de Arraial

Vista da Praia dos Pescadores. Atrás da Igreja de Arraial d'Ajuda 





Em Arraial temos praias fantásticas e não dá vontade de ir embora. Mas vou falar de uma especial! 
A Praia de Pitinga - quando você chega vê o paraíso! Nela temos muitos corais e a água muda de cor dependendo do lugar para onde você olha. Na água há algumas rochas que permitem fotos lindas, e dá para sentar e esquecer dos problemas ouvindo o mar.


Praia do Parracho

Praia dos Pescadores

Praia dos Pescadores


Vista panorâmica da Praia dos Pescadores


Marco histórico do descobrimento e a primeira Igreja do Brasil
Também resolvemos visitar o centro histórico de Porto Seguro e conhecer mais a fundo um pouquinho da histórica do colonização portuguesa no Brasil. Recomendo um dia para fazer esta visita. É possível visitar os museus de Porto Seguro e conhecer a cidade. 
Vista do descobrimento
Porto Seguro é muito maior que Trancoso e Arraial d´Ajuda, para chegar lá é possível pegar uma balsa de Arraial ou a estrada que liga as cidades. O centro histórico de Porto fica no alto da cidade. Lá encontramos a primeira Igreja Brasileira e a primeira Prisão, estes passeios são gratuitos e guiados. Dentro da prisão (que hoje é um museu) vimos um pouco sobre os índios que viviam naquela região e uma linha do tempo enorme contanto o desenvolvimento daquela região. Infelizmente não tivemos muito tempo para ler cada tópico - mas é possível tirar fotos de tudo! 
Em outro ponto da cidade temos outro museu que conta mais sobre o Cabral e tem a caravela em tamanho real! Impressionante!

Fizemos a opção de não ficar em Porto até a noite para curtir um pouco da passarela do álcool. A estrada que liga Porto Seguro - Arraial e Transoso é péssima, com muito buracos e a noite torna-se ainda mais perigosa.

A negativa foi, devido ao mal tempo, não poder visitar a Praia do Espelho que recentemente foi eleita a terceira melhor praia do Brasil. A estrada que levava de Trancoso até Praia do Espelho estava intransitável e muitos carros estavam atolando.

O Brasil é lindo. Viva a Bahia! Obrigado pessoas da Bahia.


Dicas:

Ao descer no aeroporto de Porto Seguro já alugue um carro e vá até Trancoso ou Arraial. Você irá economizar uns 220 reais de taxi e com essa grana é possível alugar um carro por 3 dias, a diária fica em torno de 80 reais.

Em Trancoso super recomendamos a Pousada Jardim das Margaridas.  Ótima localização, próxima ao Quadrado. Atendimento excelente, com muito carinho e preocupação a todas as nossas necessidades.
























Tuesday, November 17, 2015

O Camboja - paraíso e meritocracia.

Olá, Achei um tempo para escrever. Então Vamos lá


Na estrada....


Após seis dias em Hanoi, Sul do Vietnã,  parti em direção a capital do Cambodia. O percurso até a fronteira foi bastante confortável, apenas eu e mais um casal no ônibus.  Atravessando a fronteira trocamos de ônibus e lá estariam por vir mais algumas centenas de quilômetros. Era impossível não comparar o Vietnã com o Cambodia, por mais que o Vietnã também seja um país em desenvolvimento, o Cambodia logo nas primeiras horas, já apresentava  faces da pobreza e esquecimento. Por outro lado, quanta gentileza, simpatia e amor. Que povo! Fui muito bem recebido por todos os lugares que passei.

Foto tirada na capital Phnom Penh.  Setembro - 2014. 

Foto tirada na capital Phnom Penh.  Setembro - 2014.

Foto tirada em Siem Reap.  Setembro - 2014.

Foto tirada na capital Phnom Penh.  Setembro -2014.

Foto tirada na capital Phnom Penh. Setembro -  2014.


No Cambodia, não tive tempo de sentir as cidades pulsarem. Achava bacana chegar nas cidades, me organizar, pesquisar as atrações turísticas, conversar com os locais e  mochileiros,  e posteriormente decidir o que fazer nos dias seguintes. No mínimo cinco dias eram necessários para cumprir esse ritual. Essa experiência foi diferente.  Cheguei já com a programação em mente e em 10  dias visitei Phnom Penh, Sihanoukville e Siem Reap. Não recomendo e não faria novamente, turismo para ver apenas atrações turísticas e tirar fotos não é comigo. Em dez dias não fiz amizades com os locais, não consegui repetir o que tinha feito nos países anteriormente visitados.  


Foto tirada em algum lugar entre Phnom Penh e Siem Reap.  Setembro - 2014.


Foto tirada na capital Phnom Penh. Setembro -  2014.

Foto tirada em Siem Reap.  Setembro - 2014.

Foto tirada em Siem Reap.  Setembro - 2014.


Questão Social 

Para um professor de História era impossível não estabelecer relações, não procurar explicações. Diante tal realidade, confesso que o sentimento de revolta, de impotência tomou conta de mim. Para um brasileiro, se deparar com injustiça social e pobreza não seria novidade alguma, mas aquele problema não é só do Cambodia, a questão é humanitária. É revoltante entender como o mundo fecha os olhas para tamanha violência. 


Seguem alguns dados: 

  • Cerca de 40% da população infantil vive em condições de pobreza.
  • Em 1999, a esperança de vida  era de 49,8 anos para os homens e 46,8 anos para as mulheres. Hoje é de 61% para homens e 65% para as mulheres.
  • Taxa de mortalidade infantil da Camboja: total: 54,mortes para cada 1.000 nascimentos. O número recomendado pela Unesco é de 10 mortes para cada 1000 nascimentos. 
Mais sobre o Cambodia em: http://odm-turma3.blogspot.com.br/p/camboja.html

Foto tirada na noite de Siem Reap. Setembro/ 2014.

Foto tirada na capital Phnom Penh. Setembro/ 2014.
A máxima  meritocrata diz  que devemos ignorar os números acima e não devemos dar o peixe e sim ensinar a pescar. Ok.... visitem o Cambodia! Como explicar tanta pobreza? Será que todos não se esforçaram o suficiente e por isso não conseguiram vencer na vida? Ou será que são preguiçosos? Como explicar isso?! 

Os neoliberais, seguindo o conselho de Margaret Thatcher e papai Ronald Reagan, diriam que o Estado do Cambodia e as demais potências imperiais não devem intervir na economia e a implantação de políticas públicas que oferecem assistência a população é um erro. O que fazer então? Alguma alternativa? 

Foto tirada na capital Phnom Penh. Setembro - 2014.
Foto tirada na capital Phnom Penh. Setembro - 2014.
Foto tirada na capital Phnom Penh. Setembro - 2014.

Foto tirada em Phnom Penh - Mercado Municipal. 
Foto tirada em Phnom Penh - Mercado Municipal.

Hora do lanche - 2 dolares



Um pouquinho de História... 


Um Genocídio esquecido. Pol Pot, o Stalin do Cambodia. 

Na capital, Phnom Penh, meu objetivo era conhecer e visitar algumas instalações que relatam o trágico período da história no Cambodia em o país foi submetido a um regime totalitário. Entre 1975 e 1979, Pol Pot, liderando do Partido Comunista do Cambodia, após tomar o poder e depor o governo vigente, tratou de eliminar toda a qualquer lembrança da cidade de Phnom Penh com o antigo regime. Milhões de cambodiano que viviam na capital forma obrigados a deixar a cidade, médicos, advogados, professores, mecânicos,  todos foram obrigados a ir para o interior trabalhar como camponeses. Pol Pot acreditava que o país deveria voltar a ter uma economia agrária para consequentemente chegar a revolução. Com a evacuação forçada das cidades, o Pol Pot, praticamente cortou toda e qualquer ligação material que a população tinha com o regime antigo. 


Tradução: Aqui era o lugar onde os caminhões que transportavam as vítimas que iriam ser executadas estacionavam.  Os caminhões chegavam 2 ou 3 vezes por mês ou a cada 3 semanas. Cada caminhão trazia 20 ou 30 prisioneiros de olhos vedados e em silêncio. 
Quando o caminhão chegava as vítimas eram diretamente encaminhadas para serem executadas nas valas e poços ou eram encaminhadas para sombrias prisões no campo. 

Esse local era um vala comum. Ali foram encontrados mais de 150 corpos decapitados. Hoje turistas prestam suas homenagens deixando suas pulseiras penduradas no cercado. 
Assim como os demais,  deixei minha homenagem às vítimas. 

Essa árvore era utilizada para assassinar crianças e recém nascidos. Suas cabeças eram postas contra a árvore e posteriormente golpeada com um machado ou martelo. Hoje turistas prestam suas homenagens deixando suas pulseiras penduradas na árvore. 

Tradução: Sala de armas
Esse era o lugar onde as armas como barra de ferro, machados, facas, enxadas, picaretas eram guardados. A sala foi construída com madeira e telhado de aço galvanizado.  


A tradução acima mostra a brutalidade dos assassinatos. Matava-se com barras de ferro e pau, martelos, facas, picaretas, tudo o que vocês possa imaginar. O objetivo era economizar com munição. Veja as fotos abaixo. 



Instrumentos utilizados para matar. 

Adicionar legenda



Ferimentos nos crânios das vítimas causados pelos golpes de Pol Pot. 


Valas comuns encontradas com mais de 300 corpos. 






Monumento construído para homenagear as vítimas do genocídio. 


Em Siem Riep tratei de conhecer os famosos templos  budistas de Angkok. Angkor War é o mais famoso, é enorme, construído entre os séculos X e XV, o templo tem aproximadamente 3 quilometros de extensão. 


Angkor War templo - Siem Reap. 

Angkor War templo - Siem Reap.

Angkor War templo - Siem Reap.



Ta Prohm - Templo onde cenas do filme Tomb Raider foram gravadas. 

Templo Ta Prohm 


Ta Prohm






Paraíso

O barato de fazer uma mochilão é não saber como seu mochilão  vai acabar, eu escolhi fazer assim. Quando estava na Indonésia (Bali)  fiz amizade com um grupo de ingleses e a recomendação dada ao visitar o  Cambodia  era procurar por uma ilha chamada Koh Rong. A pequena ilha  é uma paraíso, está localizada apenas a 2 horas de barco de Sihanoukville. Areia branca e água limpa. As imagens dizem tudo.  





Koh Rong 

Koh Rong

Koh Rong

Thanks Cambodia. lol 



Dicas 

Transporte: Se puder pagar por um ônibus melhor, pague. Se puder voar entre o Vietnã ou Tailândia para o Cambodia também é uma boa. Caso decidir por ônibus é desencanar e curtir a trip. 

Segurança: Tomar cuidado com seus pertences, celulares, bolsas, coisas do tipo. Mas não encana com isso, só não vacila como eu fiz. 

Acomodação: Ficar em Hostel sempre.